As crenças limitantes - Vol.6: O P-R-É Conceito... Etarismo, um desabafo!
- João Abrão Jorge Filho

- 1 de jul. de 2024
- 7 min de leitura
Atualizado: 2 de fev. de 2025
Existem conhecimentos que são edificantes, nos trazem novas culturas, novos saberes, novas formas de fazer, apreciar e crer em algo.
Outros conhecimentos já não são tão edificantes e podemos falar daqueles que com certeza limitam o dialogo, a tolerância, nos tolhem das coisas novas e suas diversas formas dizendo que elas serão nosso fim... para estes "conhecimentos" damos o nome de:
CRENÇAS LIMITANTES.Vol. 6: O P-R-É Conceito... Etarismo, um desabafo!
Nobre leitor, antes de começar esta reflexão, gostaria MUITO de pedir três coisas a você:
Abrir a mente (e o coração) para exercitar o debate deste tema;
Assistir um vídeo sobre o livro Preconceito: Uma História dos mestres Leandro Karnal e Luiz Estevam;
Ler com MUITA paciência (o texto é longo, então te peço que faça essa leitura com tempo), atenção e carinho a situação que narro (um desabafo) no texto.
Em minha infância, fui "ensinado" a ter vários (cresci numa família árabe)... graças a Deus e a (minha Santa Madre - não, ela não é árabe, que me criou), consegui desconstruir MUITOS!
Mas julgo de suma importância a discussão e o conhecimento histórico e sobre as origens e dos preconceitos mais comuns de nosso dia a dia para que possamos desconstruir esse mal social "hereditário"!
Então hoje quero te convidar para iniciarmos (ou continuar) a desconstrução deste mal social que é o Preconceito e vou iniciar falando sobre um tema que me entristece profundamente: ETARISMO!Escolho falar com vocês sobre este tema, porque além de ser algo que vejo demais no meu lado no cotidiano, passe por uma situação esses dias que precisamos conversar sobre.
Só para contextualizar o leitor, a situação se deu comigo e minha sogra tem quase 69 anos.
Até cerca de 6 meses atrás caminhava sem dificuldades uns de 5 a 7 quilômetros para ir aqui e ali resolver suas coisas, se deixasse até trotar ela trotava... Subir escadas com a bacia cheia de roupa então, moleza, quem nem uma menina!
Todas quartas e sextas ia e voltava do parque (caminhando - da mais de 5km) para fazer os exercícios de alongamento da 3ª idade!Em dado momento nestes 6 meses, começou a se desenvolver um cisto de baker¹ (quem quiser saber mais é só clicar no link no final) na parte atrás do joelho dela e começou a doer, mas doer de tal forma que ela começou a reclamar, e minha sogra, como toda mãe de família que passou por poucas e boas na vida, para "não nos preocupar" só reclama de dor ou algo do tipo quando a situação está bem ruim.
¹Cistos de Baker - Distúrbios ósseos, articulares e musculares - Manual MSD Versão Saúde para a Família (msdmanuals.com)
Bom daí começa a caça a dor (ela tem plano de saúde), ela passou num médico ortopedista, ele receitou exames, fisioterapia e acupuntura, remédios e pediu pra voltar depois de 10 sessões.
1º retorno: (mesmo no plano de saúde você só consegue retorno pra mais de mês se não marcar com muita antecedência): nenhuma evolução, pelo contrário, só mais dores. A ortopedista (foi um profissional diferente que atendeu desta vez) mudou o remédio, e passou mais 20 sessões fisioterapia e acupuntura.
1/2º retorno: ela foi parar no pronto socorro 2 vezes em 3 semanas, a perna travou e a dor estava muito. Injeção, remédios pra tomar e aguardar o retorno com o médico que já estava agendada.
2º retorno: o ortopedista (o mesmo da consulta originária) disse que com ele já não tinha mais nada o que fazer, porque ele estava seguindo o protocolo padrão e que ela tinha que passar num ortopedista especialista.
2/3º retorno: ela foi parar no pronto socorro de novo por causa da dor, desta vez deram injeção um remédio a base de codeína que virou ela do avesso (vômitos e mal estar)
3º retorno: nesta a "especialista" era a médica do 1º retorno. Perguntada se não era caso de cirurgia ela disse que sem exames não podia afirmar. Pediu os exames e pediu para retornar com ela (o que se deu de forma rápida, porque eles mesmos que agendaram)
4º retorno: feitos os exames a médica disse que o caso não era cirúrgico, fez uma infiltração em cada joelho, deu mais 10 sessões de fisioterapia e acupuntura, mandou pra casa e disse que se não melhorasse tinha que passar com outro especialista, desta vez um de trauma e pós-cirúrgico pra avaliar.
5º retorno (é aqui o ponto de discussão): Neste que ocorreu (recentemente em 20/06/2024) fui acompanhar minha sogra na consulta com o médico de trauma e pós-cirúrgico especialista em joelho, um rapaz jovem (não tinha mais de 40 anos).
Passamos todo o histórico médico, os exames, etc., o médico emitindo sua opinião disse: "a Sra. tem artrose (desgaste da cartilagem) grau 1, a causa da dor não é e nem foi o cisto de baker (que diminuiu após a infiltração é verdade, mas não resolveu a dor), o tratamento que foi passado anteriormente (fisioterapia) está correto. Pode levar até 2 anos para se observar alguma melhora. Não há indicação cirúrgica, que seria o outro tratamento."
Neste momento questionei o médico: "Dr. me explique uma coisa por gentileza, minha sogra era SUPER ativa (igual expliquei pra vocês), após 6 meses de tratamento não houve sequer um pingo de evolução, você quer dizer que não temos como tentar nenhuma outra abordagem que não a cirurgia?"
Resposta do médico: "Mas também, nesta idade já não era pra estar andando pra lá e pra cá deste jeito..."
Com a toda educação que minha madre me deu, interrompi o médico na hora!
"Oi? Como é que é Dr.? Como assim? Quer dizer que porque uma pessoa envelheceu bem, mas por um infortúnio que pode acontecer com qualquer um que é adoecer, ela não deve poder mais caminhar com as próprias pernas (no sentido literal neste caso)? O Sr. entende que porque ficamos velhos temos que ficar parados em casa? Sabe o que aconteceria se deixasse minha sogra em casa Dr. ela morreria de tédio, ansiedade e depressão... ou o Sr. crê que uma mudança tão brusca assim (ser muito ativo e de repente a doença te brecar) na vida de um idoso traz algum benefício?"
Resposta 2 do médico (após ver que realmente ele falou o que não deveria): "Estou tentando explicar como evolui a artrose, mas você não me deixou.."
Interrompi o médico novamente!
"Dr., o senhor só explicou que pessoas velhas não deveriam se manter tão ativas e que se não funcionar a fisioterapia depois de 2 anos ai que se recomendaria uma eventual cirurgia... Olha Dr. não sou médico, e não estou desmerecendo vosso estudo, mas se o tratamento passado não está resolvendo por gentileza, minha sogra vai querer operar, passe os exames pré-operatórios e por gentileza, não desmereça mais um idoso, poderia ser a sua mãe ou um parente muito amado seu aqui sentado do outro lado da mesa."
Não nobres leitores, não quero me meter na área médica, muito menos entender mais ou menos que o profissional qualificado!
MAS NÃO PODEMOS MAIS ACEITAR ESTE TIPO DE DISCRIMINAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Claro que vamos (eu, minha esposa e minha sogra) atrás de uma segunda e até uma terceira opinião se necessário, uma cirurgia é algo muito drástico, ainda mais tratando-se de uma pessoa de idade.
Agora, emanar uma opinião (no caso foi médica) totalmente embasada no ETARISMO contra uma pessoa idosa em primeiro lugar, trata-se não só de um P-R-É Conceito, mas de um crime previsto na legislação Brasileira, na Lei Federal nº 10.741/2003:
"Art. 4º Nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)
§ 1º É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos da pessoa idosa. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)"
Em segundo lugar, a ideia central a qual quero discutir e refletir sobre este meu humilde desabafo.
1) Temos que ter MUITA responsabilidade ao "julgar" que uma pessoa de mais idade não deveria fazer algo ou não poderia fazer algo por causa da idade. Salvos casos de incapacitação grave (dupla amputação ou perda cognitiva), muitas vezes é possível a pessoa fazer a mesma coisa, de outra forma e ficar até melhor... vide o premio Puskas (gol de futebol mais bonito - votação FIFA) 2022:
Hoje mesmo (na data que estou escrevendo 26/06/2024, não a que o texto foi publicado) tive uma conversa com uma pessoa de mercado com mais de 25 anos de experiência e 52 primaveras que está lutando pra se recolocar.
Depois mais de uma hora de bate papo (e olha que é raro eu dispender tanta atenção pra alguém que não conheço de primeira) concluí que ainda tem MUITA lenha pra queimar! Me surpreendi, porque tem a garra de um menino pra aprender novos conhecimentos com a experiência de um conselheiro.
2) Além da responsabilidade, temos que ter MUITA humildade ao avaliar uma pessoa pela idade.
Este que vos escreve tem 35 anos e pedala em média 600km/mês (fora futebol e academia). Um amigo tem 61 e completou a maratona de Paris 2024 em pouco mais de 5 horas (detalhe a 6 anos atrás ele não correria nem até a esquina sem se cansar), da primeira que fui correr uns 10km com ele (a uns 4 anos atrás), confesso que achei que ele ia ficar pra trás... quem quase ficou pra trás fui eu. Deste dia em diante, prometi a mim mesmo que queria chegar aos 60 como ele:

3) O ETARISMO não ocorre somente contra a pessoa idosa, os jovens também podem ser vítimas! Por isso temos que ter além de responsabilidade e humildade a cabeça aberta a mudanças!
Imagine a seguinte situação: que o câncer de mama que é praticamente curável quando descoberto e tratado de maneira precoce (95% de chances de cura²), pudesse ser detectado por uma inteligência artificial com precisão de 99,1%?
Pois é... isso é possível e foi criado³ por uma garota de 19 anos a época (2012) chamada Britanny Wenger. Imagine se por causa da idade dela suas ideias tivesse sido descartadas, o tamanho da evolução diagnóstica médica que estaria se jogando no lixo (ou no mínimo se atrasando)??
Eu mesmo já fui MUITO discriminado quando mais jovem pelas minhas ideias que atualmente ajudam muitos empresários e gestores públicos a melhorarem suas gestões...
Neste mesmo período também vi MUITO etarismo, não só na situação que passei pessoalmente, mas principalmente realizado pelo mercado de trabalho, em especial empresas que se dizem "inclusivas"...Em minha modesta opinião, Responsabilidade, Humildade e Cabeça Aberta, são as soluções que entendo serem as melhores armas para combatermos esta herança social que é o P-R-É Conceito do Etarismo.
E você nobre leitor?
O que você pensa sobre o Etarismo?
Nos conte nos comentários!
João Abrão Jorge Filho
VP de Pessoas e Finanças – CFO
em 01/07/2024 - segunda-feira




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